O programa “Pega leve” entrou na grade da 98 FM após uma reformulação de sua programação em 1998. A emissora abandonava a sua programação muito popular e investia em uma grade um pouco mais eclética, tocando outros gêneros musicais além do forró, axé, sertanejo e pagode. Até então o espaço para outros gêneros era bem pequeno, restrito a poucos programas como o Rock Sport. A partir de 1998 outros gêneros musicais, como o rock, por exemplo, ganhariam mais espaço na emissora, que ainda priorizava os gêneros mais populares no seu horário nobre.
O primeiro apresentador do “Pega leve” foi Fábio Rocha, que também montava a sua seleção musical. Ele apostou em temas românticos de muito sucesso nos programas românticos. Deu certo. A audiência gostou.
Com a chegada de Meiry Ane Lima à emissora em 2000 o programa ganhou uma nova apresentadora e uma nova filosofia. A direção da emissora preferiu apostar em músicas soft em vez de apenas românticas, dessa forma o leque abriria e poderia entrar, por exemplo, a MPB, que já tocava na emissora concorrente, a Campina FM, no “O fino da MPB”. O que aconteceu é que o MPB passou a ficar muito presente, tornando muito parecido o programa da 98 com o programa da Campina FM.
Em 2003 eu me tornei programador musical da 98 FM e uma das coisas que fiz foi a programação do “Pega leve”. Eu tive o cuidado de fazer uma seleção eclética, que abrangesse românticas, soft e MPB. Colava hits que sabia que tinha grande apelo popular e também músicas mais obscuras. As vezes a audiência reagia bem, como a vez que inseri na programação o tema principal do seriado “Pássaros feridos” (“The thorn bird theme (Main theme)”) do Henri Mancini. Umas 5 pessoas ligaram dizendo que lembravam da música no SBT nos anos 80 e parabenizando pela escolha.
Uma das canções que vez por outra eu inseria era “Maria Elena” do Los Indios Tabajaras. Geralmente momentos antes do início da “Voz do Brasil”, por ser um hit muito antigo que não tinha a mesma força do hit mais atual.
O Los Indios Tabajaras era uma dupla que tocava peças folclóricas no violão, que saiu nos anos 30 do Ceará para o Rio para tentar a sorte. No Rio fizeram sucesso no rádio e a partir daí saíram para excursionar na América Latina (anos 40 e 50). Nesse período gravaram alguns albuns para a RCA. Depois voltaram ao Brasil e passaram algum tempo em suas casas, longe da fama. Em 1963 uma faixa do grupo, chamada “Maria Elena” foi escolhida para ser utilizada em uma sitcom da TV norte americana. Após ser executada a audiência ficou curiosíssima sobre a canção e começou a procurá-la. O álbum de 1957 que tinha a música rapidamente esgotou e a dupla foi chamada as pressas pela RCA para ir aos EUA para gravar mais músicas. “Maria Elena” foi #1 nos EUA, Inglaterra e vários outros países e depois (anos 60) o grupo ainda teve outros grandes sucessos nos charts. A dupla, que era analfabeta, passou a estudar sem parar música durante sua carreira e no final eram grandes virtuoses. Isso é que dá orgulho!
Fiquei como programador do “Pega leve” apenas um ano e depois que saí o programa voltou a ter uma forte carga de MPB, o que eu sempre achei errado, pois tornava o programa muito parecido com o “O fino da MPB” que é transmitido no mesmo horário.
Com a saída de Meiry Ane Lima em 2010 o programa passou a ser comandado por Almy Gabriel, que, pela sua experiência de anos a frente do “Planeta Love”, passou a exibir um repertório com mais músicas românticas.
Uma curiosidade sobre o programa é a sua filosofia de apresentação desde meados de 2000: “Pouca fala, muita música”. Isso contraria a programação diurna, que tem forte intervenção dos locutores.